O que a NRF 2026 realmente ensina para o pequeno e médio supermercadista: menos teoria, mais resultado no caixa
*Por André Teté, head de inovação da VR Software
Caminhando pela NRF 2026: Retail’s Big Show, uma coisa ficou clara: muita tecnologia de ponta, mas pouca paciência para teoria. O evento tem mais de 175 sessões oficiais e, sendo bem honesto, se o supermercadista pequeno tentar copiar tudo, quebra. A leitura correta não é “o que eles fazem lá fora”, é “o que disso cabe no meu caixa”.
Retail Media: dinheiro novo dentro da loja
Retail media não é coisa só de gigante. No supermercado pequeno e médio, isso começa simples: tela no açougue, TV na padaria, encarte digital na frente de caixa.
A lógica é direta: fornecedores pagam para aparecer no momento da decisão. É margem nova sem mexer no preço do arroz e do feijão. O erro é achar que isso é publicidade bonita e não é. É venda financiada pela indústria. Quem aprender a medir primeiro, sai na frente.
Loja como experiência: fazer o cliente ficar mais
Não precisa ter parede de escalada. O conceito da NRF é outro: tempo de permanência gera ticket médio.
No supermercado, isso significa loja organizada, fluxo lógico, comunicação clara e áreas quentes bem trabalhadas. Padaria cheirosa, açougue com tela mostrando oferta do dia, hortifruti com preço legível. Experiência aqui é conforto + clareza, não espetáculo.
IA e automação: comece pelo básico que paga a conta
Muito se falou de Agentic AI (IA que decide sozinha), mas isso ainda está longe da realidade do pequeno. O que já funciona agora:
- previsão de demanda
- sugestão automática de pedido
- alerta de ruptura
- precificação mais inteligente
Isso não é “futuro”, é sobre parar de perder dinheiro no estoque. Quem não automatizar o básico vai continuar comprando no feeling e pagando por isso.
Phygital: o cliente já é digital, mesmo na loja física
Na NRF, ouvi um dado forte: 80% dos clientes com smartphone não veem diferença entre on-line e físico.
Traduzindo para o supermercado:
- o cliente pesquisa preço no WhatsApp ou App
- vê oferta no Instagram
- compra na loja
- reclama no Google
Se o supermercado não estiver integrado sistema, frente de caixa, CRM (gestão do relacionamento com o cliente) e venda on-line ele vira invisível fora da loja.
Menos robô, mais gente boa
Apesar de toda tecnologia, a NRF bateu forte em um ponto: gente ainda ganha jogo. No supermercado pequeno e médio, isso é ouro. Atendimento ruim mata mais venda do que preço alto. Funcionário que conhece cliente, chama pelo nome e resolve problema vale mais que qualquer robô importado. Tecnologia ajuda, mas confiança vende.
O recado final da NRF para quem está no dia a dia
A NRF não é sobre virar Amazon. É sobre:
- ganhar eficiência
- criar novas fontes de margem
- parar de perder venda invisível
- usar tecnologia que cabe no bolso
O supermercado do futuro não é o mais tecnológico. É o mais bem gerido. E quem começar agora, mesmo pequeno, chega grande.
*Por André Teté, head de inovação da VR Software


