Como a reforma tributária afeta a gestão fiscal e tributária dos supermercados em 2026.
*Por Graciela Grunfeld de Jesus, Product Owner
O cenário tributário brasileiro está passando por uma das maiores transformações das últimas décadas. Com a aprovação da Emenda Constitucional nº 132/2023, inicia-se uma nova cultura de tributação sobre o consumo — e o setor de supermercados, que já convive com alta complexidade fiscal, precisará reforçar sua gestão tributária e fiscal desde já.
Embora a implementação seja gradual, 2026 será um ano-chave, funcionando como um grande período de testes, adaptação de sistemas de gestão para supermercados e tomada de decisões estratégicas. A seguir, destacamos os principais pontos de atenção para empresas do varejo supermercadista.
Simples Nacional: regime único ou regime híbrido?
Se o seu supermercado é optante pelo Simples Nacional, uma decisão estratégica precisará ser tomada até setembro de 2026. A reforma abre duas possibilidades que impactam diretamente a gestão fiscal do supermercado:
🔹 Regime Único
Você continua pagando tudo em uma guia única (DAS), como faz hoje. No entanto, seus clientes que são empresas só poderão tomar crédito do valor efetivamente pago por você, o que pode reduzir a competitividade no mercado B2B.
🔹 Regime Híbrido
Você opta por recolher IBS e CBS pelo regime regular e os demais tributos dentro do Simples. Isso permite crédito integral das entradas e o repasse completo para clientes PJ, exigindo maior controle por meio de um ERP para supermercados.
Essa escolha impacta diretamente preço, margem e posicionamento comercial.
Créditos tributários e a cadeia de consumo
Por atuar no comércio, o supermercado tende a ficar em uma posição mais favorável do que o setor de serviços. A reforma amplia a possibilidade de aproveitamento de créditos tributários nos supermercados sobre quase todas as aquisições operacionais, exceto a folha de pagamento.
Dica estratégica:
Avalie o perfil de vendas do negócio:
- Maior venda para contribuintes: o regime híbrido pode gerar ganhos relevantes de competitividade. Empresas atualizem seus sistemas de gestão fiscal (ERPs), promovam treinamento de equipes contábeis e aperfeiçoem rotinas de compliance fiscal antes da cobrança efetiva dos tributos em 2027.
- Maior foco em consumidor final (CPF): regime único tende a ser mais vantajoso.
Novas obrigações, mais controle e multas automáticas
A reforma tributária também amplia o nível de controle fiscal, exigindo atenção redobrada na gestão tributária para supermercados, já a partir de 2026:
Adequações na Nota Fiscal
Inclusão de NBS, revisão de cadastros e ajustes no XML, reforçando a importância de sistemas integrados e atualizados.
Multas automáticas
Atrasos na PGDAS e na DEFIS passam a gerar multas automáticas, calculadas sobre os tributos declarados.
Tributação de lucros e dividendos
Isenção de até R$ 50 mil e possível tributação de 10% sobre valores superiores, exigindo maior controle contábil e financeiro.
2026: o ano da preparação (e não da improvisação)
O ano de 2026 será dedicado a simulações, ajustes de sistemas e cumprimento de obrigações acessórias. É o momento ideal para:
- Revisar cadastros fiscais (NCM e NBS).
- Alinhar processos com fornecedores.
- Estruturar um planejamento tributário apoiado por tecnologia de gestão para supermercados.
A reforma tributária nos supermercados exige uma postura mais estratégica do empresário. Quem investir desde já em controle fiscal, planejamento tributário e sistemas de gestão eficientes estará mais preparado para competir quando o novo modelo estiver plenamente em vigor.
Mais do que uma obrigação legal, a reforma se tornará um diferencial estratégico para supermercados que utilizam tecnologia para tomar decisões com segurança.


